segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Por onde raio ando eu?





Estive aqui... tropecei logo à entrada na porcaria do cão de louça que compraste na feira dos Carvalhos. Acho que torci um pé e fiz 3 foguetes nas minhas meias de liga novas quando ia a cair, à custa do arbusto que não podas desde a Primavera passada. Abri a porta e, como sempre, deixaste a TV, a luz, o PC e tudo o mais que havia e pudesse despender energia ligado... os chinelos ao pé da porta, a toalha molhada no chão da casa de banho... mas que raio de homem moderno és tu?
Havia mousse de chocolate no frigorífico. Num típico momento de carência feminina comi-a toda, como se as 500 mil calorias que passado uns dias, ainda se passeiam pelo meu corpo, me fossem preencher o espaço que reservo para os afectos. De certeza que te vais rir do meu acto irreflectido de colocar de novo a taça na prateleira, como se o facto de estar vazia fosse irrelevante para, até um cego, reparar que eu a tinha devorado.
Ah, e também estive no teu quarto, deitada na cama, a esfregar a cara no teu pijama, numa atitude de fazer inveja a qualquer adolescente idiota, mas trouxe-me algum consolo e tranquilidade. E depois olhei à volta e só havia coisas que me lembravam de mim própria e ri e pensei que é do que te lembras, às vezes, quando estás aqui.
Agora vou embora que já estou atrasada para fazer qualquer coisa importantíssima da qual não me lembro agora, mas sem a qual certamente não posso sobreviver.
Beijo.
Prometo marcar consulta de psiquiatria na próxima semana... para ti claro, que eu estou em perfeitas condições!



terça-feira, 25 de novembro de 2008

A preto e branco...




Estava tudo escuro, caminhava na penumbra.

De repente, ao longe,um céu azul, um arco-íris.

À medida que se aproximava tentava tocá-lo,

Não conseguia e, no entanto, não desistia.

Estava tão perto...

O céu fechou-se, a luz foi quebrada.

Que ingenuidade... até uma criança sabe que no final do arco-íris não há nada!


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

E se eu já não souber?

Unloved_by_Josibean

E se eu já não souber amar?
Se não conseguir ler uns olhos que procuram os meus,
Não conseguir escutar palavras prostradas em silêncios,
Murmúrios perdidos em vendavais desgovernados.
Sim, que farei eu se um dia não mais souber amar alguém?
Aquele amor que se espalha para além do desejo,
E depois treme ansiando apenas um beijo,
Que farei eu quando for gelo glaciar,
Em que nem o teu sol consegue entrar,
E nem as tuas mãos fortes o conseguem quebrar?
Pois se a dor de adormecer numa cama vazia
É tão grande como esta ausência que preenche cada dia
E tão negra como uma longa estrada apenas com uma via,
Em que não há nada mais... resto eu apenas!
E se eu já não souber amar?
Serás suficientemente paciente para me ensinar?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Falling_Again_by_LeonaDeLioncourt

Estou a um passo do abismo,
Peço a alguém que me salve ou me empurre de vez.
É-me urgente tratar de mim!
Detesto meias medidas,
Meias palavras suspensas no ar,
Meias verdades fáceis de apanhar,
Copos meios cheios ou meios vazios.
Não sei, talvez, se calhar, sou capaz, quem sabe...
Aiiiiiiiiiiiii... que comichões me provocam estas palavras!
Estou vazia, empty caramba, sem nada cá dentro,
Pior, estou desmantelada, desmanchada,
Como se me tivesse vendido às peças
Uma de cada vez pra doer mais a matança.
Sim, porque não me chegava gripar o motor,
Fui directamente prá sucata.
E cansada, melhor, estou esgotada!
No chão, ao meu redor, há peças, milhentas e minúsculas
E não consigo, não junto sequer duas ou três
Nem aquelas dos cantinhos tão fáceis de unir.
Não é o fim, nunca é o final do caminho.
Porquê?

"Because everything will be okay in the end...if it's not okay, it's not the end!"

Estou a um passo do abismo.
Se vou para trás caio,
Se sigo em frente estou a um passo de acreditar.
Até o meu abismo tinha que ser diferente!


domingo, 9 de novembro de 2008

empty_by_kimberlyster


Sei,
Sinto,
Estou,
Sou,
Vou,
Venho,
Volto...
O sangue a correr nas veias,
O corpo não pára,
Os olhos procuram.
Não sei,
Não sinto,
Não estou,
Não sou,
Não vou,
Não venho,
Nem volto...
O sangue gela e não circula,
O corpo cansado,
Os olhos vazios.

Se a cabeça mandasse explodia-me um arco-íris gigante no coração!
Quero parar.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Estou a morrer... bolas!


Estou a morrer... não estaremos todos?
Do ponto de vista existencialista a morte não é um prolongamento, é um fim. A morte representa o fim da nossa existência, da nossa vida e começamos a perceber isso a partir do momento em que temos capacidade de raciocínio.
E então? O que fazemos nós para viver em pleno uma existência que espera inevitavelmente pelo seu final? Várias coisas:
1. Preocupamo-nos em ganhar o suficiente para pagar as contas, o que será acertado e prioritário, mas não deveria ser colocado em primeiro lugar;
2. Preocupamo-nos em ter dinheiro para comprar aquelas botas giríssimas (no caso das mulheres) e aquele telemóvel topo de gama (para os meninos), total e absolutamente supérfluo;
3. Passamos o dia a lamentar-nos que não temos uma vida amorosa estável quando, na maioria dos casos, esse é o único ponto menos positivo da nossa vida;
4. Aborrecemo-nos e achamo-nos no direito de aborrecer os outros em situações de sumenos importância e de relevância nula para o nosso saudável e harmonioso dia-a-dia.
5. Poderia enumerar um rol de coisas que, bem pensadas, nem sequer fazem sentido.

E isto tudo porquê se estamos a morrer?
Estou a morrer hoje... amanhã mais um bocadinho... e depois... e depois... cada vez mais perto!
Estou a morrer e raios me partam se não vou viver em pleno até o meu dia chegar!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Inside_by_Vrenchen


Tenho espreitado para dentro de mim... não entendo nada do que vejo!

Afinal para onde fui eu?
Já nem sequer sinto o que sou nem sei se estou aqui!
Um dia destes vou resgatar-me de mim.
Já faltou mais...

sábado, 11 de outubro de 2008

O Grito!

Scream__by_dasmaus

Eu hoje gritava até não sair ruído nenhum da minha boca
Gritava o teu nome que morreu amordaçado no meu peito
E erguia uma placa em tom de lembrança eterna:
Aqui jaz fulano de tal... e toda a sua indignidade!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Ensina-me...

Help_by_roseonthegrey

Ensina-me a esquecer-te de uma forma mais rápida do que deixar o tempo passar e levar-te com ele à força!

Ensina-me a ir embora e não voltar
E a ignorar, como era bom saber fazê-lo.
Quero que me ensines a ser vil e cruel
E a arrancar corações só com o dom da palavra.
Ensina-me também como se fazem correr lágrimas com gestos
Como se por magia se controlasse um corpo que não o nosso.
Ensina-me...
Eu quero saber tudo isso!
E quando me ensinares, esquece-te tu como se faz!

domingo, 28 de setembro de 2008

Se eu sentir...





Há já uns dias que a cama me sabe a nada
Me cheira à falta de um odor masculino
De um corpo que me ajude a engelhar os lençóis
A atirar tudo ao chão.
Apetece-me sentir alguém contra mim
Desafiar as leis da gravidade
Apetece-me tocar, cheirar, saborear
Apetece-me sentir que faço parte do desejo de alguém.
Sobretudo apetece-me que me apeteça
Que me deixe levar e sentir sem reservas
Ainda que não haja amanhã com esse alguém.
Às vezes é bom pensar só no presente
Não imaginar ausências nem presenças mudas
Nem querer mais do que o hoje estipula.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O beijo...




Há tantos beijos e tão diferentes
Que não sei que dizer
O beijo de irmão, que nos estende a mão
O beijo amizade, que é sempre verdade
O beijo guloso, que é ardiloso
O beijo de amor, que emana calor.
E há tantos beijos que matam desejos
Há tantos desejos de arrancar beijos
E quantos mais sejam mais se desejam.
Há aquele beijo que não estamos à espera
Depois queremos mais de tão bom que era.
Aquele ardente de tão desejado
Que nos faz rolar lágrimas por ter acabado.
O beijo roubado num lado qualquer
É inacabado se alguém não o quer,
Mas se alguém o pediu com convicção
Ao tê-lo na boca perde a razão
Desfaz-se em pedaços, estende os seus braços
Não encontra defeito, num beijo perfeito.
E há aquele beijo com que tenho sonhado
Não é dos fingidos nem dos assustados,
Não é dos perdidos, nem é dos achados,
É um beijo simples de lábios colados
De língua molhada que vagueia perdida
Que faz da minha boca a sua avenida
Um beijo sentido, um beijo só meu
Não lhe conheço o emissor
Mas o destinatário sou eu!

sábado, 1 de setembro de 2007

Há dias...


Há dias…

Há dias de fome, de sede e de luta…

Dias em que morremos em batalhas vãs ou renascemos de causas perdidas.

Há dias em que não há nada a fazer, em que parece que tudo está dito e nada sai do seu lugar.

Dias de ir e voltar sem sair do mesmo lugar… dias em que a solidão é prisioneira dos enganos e desenganos e a tristeza anda solta e flutua como uma bola de sabão.

Há dias de chuva e de sol, de brincar com papagaios de papel e sonhar…

Sonhos proibidos e secretos,

Sonhos bons e maus…

Daqueles que sonhamos de olhos abertos e pensamos baixinho que não deviam acabar.

Sonhos contigo, comigo… ilusões

Há dias em que o amor é tanto que sofremos quando alguém magoa a pessoa que amamos… sim, daqueles em que devíamos estar felizes porque até pode ser bom para nós mas que o coração nos salta do peito de tanta dor por te ver sofrer e nada poder fazer.

Querer apertar-te nos braços e desenhar palavras de amor em ti todo…

Fazer-te sentir amado como se não houvesse amanhã…

Trocar o meu sorriso pela tua expressão triste e cair nos teus braços naquela dança que só nós conhecemos…

Creio em ti, em tudo, em cada momento, em cada sussurro no meu ouvido, em cada toque na minha pele… creio porque é isso que me trás viva ainda e me faz sorrir quando recordo. Creio na meiguice da tua voz, na segurança que sinto nos teus braços e nesse sorriso tão lindo que me desarma.

Sei que não queres, que não sabes, que já não sabes se sabes, mas sei também que não vais esquecer e que te vou ler sempre… nos teus olhos… nas tuas palavras… em cada gesto… em cada momento…

Quando ris apanho o teu sorriso no ar, quando choras lambo-te as lágrimas, quando te vejo sorrio… agora que não estás sinto o vazio.

Que será isto senão amor?

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Saudades....


Concordo que a saudade pode ser intensa, mas discordo quanto ao ser tortuosa, a não ser que se refira a algo que não poderemos voltar a experienciar ou alguém que nunca mais iremos ver. Caso contrário, suspeito até que existem saudades boas, como aquelas que se desvanecem quando voltamos a sentir a areia molhada nos pés ou em que alguém nos amarra com cordas de desejo sem que nos sintamos presos, essas saudades que nos fazem esboçar um sorriso ao ver o pôr do sol, chorar de alegria ao ouvir uma música, perdermo-nos num abraço demorado ou passearmos nos olhos de alguém. Não sei se será possível esse irreverente rodopio decisório, que nos leve a decidir do que podemos ou não sentir saudades, acredito sim que no rescaldo de momentos intensos poderemos, após já termos sentido saudades de tudo, guardar na memória aqueles momentos que nos fazem realmente aprender e guardar num bauzinho aqueles que nada de bom ou mau nos fazem sentir. Em situações limite faz parte do processo, a ira, a revota, as lágrimas, a saudade, o arrependimento (porque não), para logo depois entrarmos num processo ascendente que nos permite erguer das cinzas, caminhar de cabeça levantada e construir um novo futuro sem nos desprendermos totalmente do passado.

Foi tudo isso que vivi antes de ti e é tudo isso que não quero mais voltar a experienciar porque não quero nunca que sejas uma passagem na minha vida, mas sim uma longa história sem ponto final...................................................................